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Furtos e roubos a condomínios disparam em São Paulo

Número de ocorrências cresceu 56% no comparativo entre 2017 e 2018

Santos, litoral paulista, setembro de 2018. Um condomínio de luxo do bairro do Boqueirão é alvo de uma quadrilha com cerca de15 integrantes armados. Depois de tomar porteiro e zelador como reféns, o bando invade dois apartamentos, de onde levam R$ 50 mil, além de dólares, euros e joias.

Bairro da Mooca, São Paulo, julho de 2018. Dois rapazes com aparência de menores de idade conseguem entrar no condomínio com a ajuda de uma moradora. As câmeras de vídeo mostram imagens dela ao liberar a entrada da dupla. Na sequência, eles furtam objetos de dois apartamentos e fogem. A moradora e outros dois comparsas, que também viviam no prédio, foram presos e indiciados.

Os dois casos descritos acima apontam para uma realidade preocupante: o crescente número de edifícios e condomínios residenciais que entraram no radar dos criminosos. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública estadual, o registro de ataques aos residenciais nos quatro primeiros meses de 2017 soma 832 casos. No mesmo período de 2018, ocorreram 1.300 episódios, o que representa um crescimento de 56%.

O aumento nesse tipo de crime literalmente tira o sono da sociedade. Afinal, ninguém quer correr riscos dentro da própria moradia. Em contrapartida, as autoridades também buscam dar resposta ao problema.  Em nota, a secretaria de Segurança ressaltou que as polícias Civil e Militar desenvolvem operações conjuntas de para combater roubos e furtos a condomínios.

Além das delegacias territoriais, essas ações contam com o compartilhamento de informações dos setores de inteligência da PM e da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio, do Deic. Há alguns anos, a polícia paulista também dispõe da 4ª Delegacia de Furtos e Roubos a Condomínios e Residências, que esclareceu 26 casos e desmantelou seis quadrilhas, com 19 pessoas presas, no início de 2018, conforme a secretaria.

Administradores se mobilizam 

Ações policiais à parte, os próprios condomínios estão se mobilizando, por meio do aumento nos investimentos em recursos eletrônicos de segurança e na contratação de empresas de Segurança Privada. A Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), que representa os administradores de condomínios, recomenda que seus associados mantenham consultorias nessa área para fazer frente à criminalidade.

“Nós reforçamos muito com os nossos associados questões como a do controle de acesso, utilização de câmeras e o armazenamento de imagens”, ressalta Omar Anaute, diretor de Condomínios da AABC. “Infelizmente, esse assunto só ganha destaque quando há alguma ocorrência”, assinala.

O empresário vê a importância do investimento em segurança – que ainda está aquém do que seria ideal – e atribui a ele a mudança do perfil das ocorrências. Enquanto o crescimento total de crimes, comparando-se os quatro primeiros meses de 2017 e 2018, foi de 56%, o de roubos, ações mais violentas, chegou a 27%. Além disso, do universo de 1.300 crimes registrados, apenas 65 são compostos por roubos.

“Houve uma redução significativa da invasão armada, que foi recorrente até há poucos anos. Voltaram a aparecer muitos casos de gente pulando muro, escalando sacada”, afirma Anaute. Em relação ao crescimento dos furtos, ele recomendou mais proatividade dos administradores. “Nossa orientação é de que a avaliação de riscos da segurança tem de ser constante”, conclui.

Para o consultor em segurança Jose Elias de Godoy, está em curso uma mudança no modus operandi dos criminosos. “Atualmente, é mais comum eles entrarem pela porta da frente dos condomínios, enganando o sistema de portaria”, assinala o consultor, que é oficial da reserva da PM e atua nesse setor há mais de 20 anos.

Vários fatores contribuem para essa mudança. Entre eles, a percepção dos criminosos de que há empresas com fragilidade e deficiência na qualificação dos funcionários da segurança. “Os bandidos percebem que, muitas vezes, o pessoal não é qualificado e não segue procedimentos”, avalia Godoy.

Para ele, que é autor de livros sobre segurança em condomínios, o sistema mais recomendável se assenta em um tripé que inclui a segurança física, representada por muros, grades, enclausuramento, portões e guaritas blindadas; investimentos na seleção, contratação e formação de funcionários (próprio ou terceirizado); e a conscientização do morador que, muitas vezes, não segue as regras de segurança e fragiliza o sistema.

Segurança versus conforto 

A avaliação do consultor ganha eco no segmento da Segurança Privada. O presidente do SESVESP, João Palhuca, tem visão crítica sobre a forma como os condomínios lidam com o tema. Ele argumenta que, de maneira geral, o brasileiro ainda não assimilou a cultura da segurança, realidade ainda mais presente entre as pessoas que residem em condomínios.

“Muitas vezes, o condômino não abre mão de seu conforto. Por pagar as taxas, a pessoa acha que têm direito a usufruir dos serviços de porteiros e zeladores para favores pessoais. Criam intimidade com esses trabalhadores, que ficam íntimos dos condôminos, e abandonam as funções características dos serviços de vigilância e proteção”, sustenta Palhuca.

“Isso não coaduna com um necessário projeto de segurança. E é preciso lembrar que, se você quer segurança, abre mão do conforto. Se quer o conforto, não pode ter segurança”, sentencia o dirigente.

A crise econômica também contribui para aumentar a insegurança, pois os condomínios tendem a buscar soluções de custo menor e de qualidade questionável, como a contratação de empresas clandestinas ou de profissionais não qualificados para atuar no setor. A ânsia em reduzir despesas tem estimulado ainda a aquisição do chamado porteiro eletrônico, que traz embutido todos os riscos inerentes à substituição de um de uma pessoa por um telefone, tornando ainda mais precária a segurança nesses locais.

“Os condomínios precisam, para melhorar, contratar empresas de segurança especializadas e autorizadas pela Polícia Federal. Não adiante contratar o vizinho, o parente, indicado por amigos, sem dar valor adequado à qualificação profissional”, observa Palhuca.

 

 

 

 

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